28/02/2026
Cineastas-filósofos
Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, Praça da Liberdade 21, Savassi, Belo Horizonte
O filósofo Gilles Deleuze considerava alguns diretores, como Andrei Tarkovsky ou Robert Bresson, como “cineastas-filósofos”, pois para ele, eles criavam uma “metodologia de fazer cinema” que estabelecia um pensamento complexo e genuinamente filosófico por meio das imagens, fazendo o cinema “pensar”.
Nosso trabalho foi discutir filosofia e cinema por meio das obras de cineastas, uma interpretação crítica, que nem todos os estudiosos concordam plenamente com a classificação. Analisamos obras de Ingmar Bergman, Woody Allen, Glauber Rocha, Charles Chaplin, Sergei Eisenstein, Humberto Mauro, John Ford, Steven Spielberg e Kleber Mendonça Filho nos 3 primeiros volumes. A diferença principal reside na forma como a filosofia é expressa: se ela é intrínseca à linguagem cinematográfica (cineasta-filósofo) ou se é um tema abordado na obra (cineasta filósofo).
O termo “cineasta-filósofo”, que usaremos nestes ensaios, é um substantivo composto que descreve uma única pessoa ou entidade que exerce ambas as funções de forma unificada e interdependente. Refere-se a um indivíduo cuja prática cinematográfica é inseparável de sua reflexão filosófica. A filosofia não é apenas um tema, mas a estrutura e a base de sua abordagem na direção. Um cineasta-filósofo utiliza o cinema como um meio para expressar e desenvolver conceitos filosóficos complexos, fazendo com que o próprio filme se torne um ato filosófico. A obra se constrói a partir de um pensamento filosófico.
A contribuição do autor não fica apenas na catalogação dos filmes filosóficos, mas na organização do conhecimento sobre cinema e filosofia ao analisar os cineastas-filósofos.
