28/07/2026

140 anos de 'Para a genealogia da moral', de Friedrich Nietzsche

Campus Guarulhos

Em 2027, Zur Genealogie der Moral. Eine Streitschrift, von Friedrich Nietzsche, editado em Leipzig por C. G. Neumann, completa 140 anos. O livro, como é conhecido, veio à luz em Sils Maria, na Suíça, onde seu autor havia chegado em 12 de junho de 1887 e permaneceu até setembro, hospedado em uma pensão na Via das Marias, 67. Um ambiente peculiar para o filósofo que no geral buscava uma pensão “comum e sempre lotada”, onde “a certeza de ser confundido com os demais” ofereceria a ele o “deserto” (GM III 9) que precisava para ler, pensar e escrever.

Segundo a narrativa do autor, o início dos trabalhos, não notado por ele, teria acontecido em torno do dia 10 de julho. Sobre o final, ele afirma, em uma carta a Heinrich Köselitz, que teria ocorrido no dia 30 daquele mesmo mês, quando enviara o manuscrito para o seu editor. O fato, contudo, é que o material enviado para o editor naquela data compreendia apenas as duas primeiras dissertações. Apenas no dia 14 de agosto, quando recebe o material para revisão, ele menciona a Terceira Dissertação e o Prefácio, com a promessa de despachar ao editor, Georg Naumann, “o restante do manuscrito” nos próximos dias. O que ocorre no dia 28 daquele mês. Assim, o texto, iniciado em torno de 10 de julho saiu, de fato, das mãos de seu autor em 28 de agosto de 1887 – o que não descarta o fato de que o texto segue passando por revisões, chegando mesmo a receber uma nova seção no Prefácio, a qual é retirada em seguida. Pouco tempo depois, em meados de novembro, ele recebe os primeiros exemplares do livro, que terá uma tiragem maior apenas em janeiro de 1888. O trabalho editorial, do mesmo modo como já havia ocorrido com outras obras do filósofo, foi custeado com recursos próprios.

Um ano mais tarde, ao referir-se à sua Genealogia, Nietzsche declara que “não existe talvez nenhum ponto de virada mais decisivo na história do conhecimento religioso e moral”, do que seu Escrito Polêmico (O caso Wagner, Epílogo, nota). De fato, aquele livro, que ainda nas palavras do seu autor seria, “em termos de expressão, intenção e arte de surpreender, o mais inquietante que já foi escrito até agora” (EH, Genealogia da moral), tornou-se uma das obras mais lidas no século XX e fonte de inspiração para inúmeros trabalhos tanto na área da filosofia quanto em outros campos, num amplo episódio de recepção de uma polêmica iniciada pelo seu autor, e que chega agora aos seus 150 anos.

Neste momento, quando a comunidade filosófica se prepara para comemorar o aniversário de 140 anos da Genealogia, a proposta de um dossiê temático sobre o livro tem por objetivo reunir trabalhos autorais que envolvam temas debatidos nela, interpretações do livro, além de avaliações acerca de sua origem, do seu lugar no conjunto dos escritos do filósofo, do seu lugar e papel na história do pensamento, além de questões relativas à sua escrita, ao seu estilo e também debates sobre sua recepção e repercussões, entre outras possibilidades de estudos voltados para o livro que Nietzsche descreve, por fim, como “minha pedra de toque para o que me pertence, tem a sorte de ser acessível apenas aos espíritos mais elevados e rigorosos” (O caso Wagner, Epílogo, nota).

Os artigos produzidos para atender a esta chamada poderão ser apresentados por meio do sistema de submissão da revista até 31 de março de 2027, para lançamento do dossiê no segundo semestre desse mesmo ano.

Henry Burnett (Unifesp – editor)

Antonio Edmilson Paschoal (UFPR – editor convidado)

Link: https://periodicos.unifesp.br/limiar/announcement/view/360