Boletim Especial: Filosofia e Ensino Básico
A reflexão produzida pela pós-graduação em Filosofia tem um compromisso inevitável com o ensino de filosofia e sua valorização nos níveis básicos da educação pública. Não apenas porque é a continuidade da formação filosófica das escolas à universidade que realiza a nossa razão de ser como filósofos e filósofas, mas porque é essa continuidade que nos permite – ou que deveria nos permitir – a realização de nossas funções sociais e políticas voltadas à formação cidadã, à criticidade social e à defesa da vida democrática.
Essa reflexão não descuida, evidentemente, do significado do ensino de filosofia, com suas especificidades contextuais para o chão da escola e para o chão formativo das licenciaturas em filosofia. Essa parece ser também uma questão filosófica por excelência: a de sua abrangência e inserção curricular a partir da compreensão do seu público específico. Com o que temos aí, finalmente, a outorga de cidadania filosófica à sua tarefa pedagógica. Não poderia ser de outra forma ao reconhecermos os pontos precedentes como aqueles de reivindicação que ultrapassam as demandas de sobrevivência de graduandos e graduandas para alcançar os estratos de especialização e profissionalização que se pensam a si mesmos.
A Anpof propôs, no último mês, uma campanha sobre Filosofia e Ensino Básico que viabilizou debates na Coluna Anpof, podcast, entrevista e roda de conversa no YouTube que dão conta da amplitude dos problemas envolvidos nessa reivindicação, mas também de suas várias frentes de realização práxica.
Em entrevista concedida à profa. Dra. Janyne Sattler (UFSC/Anpof), a profa. Dra. Valéria Wilke (UNIRIO) afirma que o ensino de Filosofia, nos últimos anos, tem ganhado em espaço como um campo de pesquisa e o crescimento e consolidação do PROF-FILO são provas disso. Wilke é coordenadora do Mestrado Profissional em Filosofia (PROF-FILO), Núcleo UNIRIO. Nesta entrevista, ela comenta sobre o que chama de cultura bacharelesca que desprestigia e deslegitima a Licenciatura e a formação docente como um fazer filosófico menor. Na conversa, ela compartilha o histórico do PROF-FILO e seu envolvimento com o programa, argumentando que ele exige que o projeto do professor e da professora esteja ancorado em um problema real de sua sala de aula e isto é que vai guiar a abordagem filosófica e o processo de pensamento filosófico de sua prática docente e que a inserção do PROF-FILO na história recente da filosofia acadêmica brasileira integra um processo de questionamento do cânone filosófico. Leia aqui.
A campanha sobre ensino básico debateu também aspectos da plataformização da educação no Podcast Anpof. O tema foi proposto pela profa. Dra. Valéria Wilke (Unirio) que convidou para a conversa o prof. Gilberto Miranda, mestrando do PROF-FILO da UFABC e docente da rede pública de São Paulo e Marcelo Feijó, mestrando do PROF-FILO da Unirio e integra a Rede Privada de Ensino Salta Educação. Para somar nessa conversa, a professora Taís Manenti, mestranda em Educação na UNESP, apresenta a sua experiência como docente temporária na rede de ensino de São Paulo. Nesta conversa, eles explicam a complexidade deste novo fenômeno: trata-se de sistemas de gestão e da lógica de dados e algoritmos que invadem o espaço da escola e afetam diretamente a forma de ensinar e de aprender. Ouça o episódio.
Pensando ainda sobre a importância da filosofia na sala de aula, recebemos também o prof. Dr. Christian Lindberg (UFS/Abefil) e o prof. Dr. Mauricio Cossio (Rede de Ensino Estadual de Santa Catarina), em uma roda de conversa mediada pela profa. Dra. Janyne Sattler (UFSC/Anpof). Neste encontro, eles discutem o compromisso da formação universitária e o papel de formadores de licenciados e pós-graduados como agentes indispensáveis na realização desse compromisso. Abordam também o chão da escola como lugar de formação continuada para os professores de filosofia formados em contextos mais canônicos e tradicionais. Assista no YouTube.
A campanha reuniu 15 textos na Coluna Anpof, produzidos pelos membros do GT Filosofar e Ensinar a Filosofar e da Associação Brasileira de Ensino de Filosofia, além de contribuições de professores(as) e estudantes dos Núcleos dos Mestrados Profissionais em Filosofia (PROF-FILO) e do PPFEN/CEFET-RJ. Acesse os textos na íntegra no site da Anpof:
É tempo de mudanças nos cursos de formação de professores/as de filosofia?, por Christian Lindberg, professor de Filosofia da UFS e do PROF-FILO/UFPE.
Educação e outras epistemologias: quando o projeto de vida é a filosofia do empreender, por Giovanni Codeça da Silva, mestrando em Filosofia no CEFET-RJ.
Crença, Fé e entendimento no Ensino de Filosofia, por Fabiano da Silva Barcelos, mestrando no PROF-FILO/UNIRIO.
Entre a filosofia e a diversidade: caminhos para uma docência viva, por Adriana Fidelis, mestranda em Filosofia no PROF-FILO/UNIRIO.
Professores e professoras de filosofia e suas obras educacionais, por Rafael Mello Barbosa e João André Fernandes da Silva, professores de Filosofia do CEFET/RJ.
Quais os impactos na filosofia universitária quando a filosofia vai à escola?, Patrícia Del Nero Velasco, professora de Filosofia da UFABC e Presidenta da ABEFil, e Augusto Rodrigues, professor de Filosofia da UFABC.
O PROF-FILO e seu "arrojadíssimo" projeto de futuro: memória do VI Encontro Nacional, por Eduardo Barra, professor de Filosofia da UFPR e coordenador Geral do PROF-FILO.
Qual a situação da disciplina Filosofia na Educação Básica com o Novo e o Novíssimo Ensino Médio?, por Leonardo Diniz do Couto e Thomaz Estrella de Bettencourt, professores de Filosofia do CEFET/RJ.
O que nos mostram os livros didáticos de Filosofia aprovados no último PNLD?, por Taís Pereira, professora de Filosofia do CEFET-RJ e do PROF-FILO/UNIRIO, e Lucas da Silva Martins, mestre em Filosofia pelo CEFET/RJ.
O Cisne Negro do Ensino de Filosofia: A ABEFil e a crescente autonomia deste campo após um ano de sua fundação, por Gabriel Kafure da Rocha, professor de Filosofia do IFSertãoPE e do PROF-FILO e PPGFIL/UECE.
À Deriva? Desafios e bússolas para o ensino de Filosofia no ensino médio, por Felipe Gonçalves Pinto, professor de Filosofia do CEFET/RJ.
O ensino de filosofia entre o instituído e o instituinte: reflexões sobre a Resolução CNE/CEB Nº 4/2025, por Alexsandro da Silva Marques, Pós-doutorando na UFBA e professor de Filosofia da UNEB.
Por um PNLD específico para obras de filosofia, por Rúbia Vogt, professora do PROF-FILO, Núcleos UFRGS e UFABC.
Filosofia com crianças: provocações desde a docência, por Jéssica Erd Ribas, doutora em Educação pela UFSM.
Furando a bolha: o ensino de filosofia e o método ciência tecnologia e sociedade - CTS, por Danielle Oliveira Soares, mestranda em Filosofia no PROF-FILO/UNIRIO.
Agradecemos as contribuições de nossa comunidade e convidamos vocês a ler e ouvir estas reflexões.
Diretoria Anpof - 2025/2026